portugal experimental
Antes da década de 80 do séc. XX, a realidade da nova música portuguesa centrava-se nalguns escassos músicos e passava, sobretudo, pela prática das actuações ao vivo, sendo que poucas obras ficaram registadas em disco. Só daqueles anos 80 ficou alguma herança editorial ilustrativa da produção nacional nesta área. A título de exemplo, duas das obras mais relevantes desta época, ‘Plux Quba’, de Nuno Canavarro e ‘Música de Baixa Fidelidade’ de Tó Zé Ferreira, foram lançadas por uma editora independente, da área do Rock - a Ama Romanta de João Peste [Pop Dell’Arte].
Nos anos 90 a situação alterou-se consideravelmente com a generalização da tecnologia digital, já que o acesso à edição discográfica se tornou mais fácil, devido à evolução tecnológica e ao embaratecimento dos equipamentos. Por outro lado, um maior número de músicos, vindos do rock, do jazz e da clássica, começou a dedicar-se às práticas experimentais. Este cenário completa-se com o surgimento de uma série de pequenas editoras discográficas, seguindo o pioneirismo da AnAnAnA.
Paralelamente a este contexto nacional, observou-se uma projecção conseguida no estrangeiro por um crescente número de músicos portugueses, como Rafael Toral, Ernesto Rodrigues, Carlos Bechegas, Rodrigo Amado, Vitriol [Paulo Raposo e Carlos Santos], @c [Miguel Carvalhais e Pedro Tudela] que se juntavam, assim, aos mais consagrados Carlos Zíngaro, Telectu [Jorge Lima Barreto e Vítor Rua] e Osso Exótico [irmãos David e André Maranha, Patrícia Machás, etc.]. Isto permitiu o facto inédito de etiquetas de outros países começarem a editar portugueses.
Neste início de milénio a realidade é consistentemente diferente, e verifica-se que existe uma actividade profícua no mercado alternativo da edição de discos, com exemplos de grande qualidade, que reflectem a grande dinâmica da nova realidade musical. Este facto é, aliás, frequentemente comentado na imprensa especializada estrangeira, tendo dado ocasião, inclusive, à realização em França e Itália de festivais exclusivamente programados com o experimentalismo luso.
Por cá, merecem destaque os Encontros de Música Experimental de Palmela, que tiveram no início do passado mês de Outubro a sua sexta edição, tendo-se consolidado no panorama português como um evento incontornável.
Para uma consulta de artigos sobre a nova música portuguesa, recomendamos o sítio de Rui Eduardo Paes, crítico de música, jornalista e ensaísta:

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