M.A.U. no Clube Mercado
Actuaram na quarta-feira, 18, no Clube Mercado, em Lisboa. O alinhamento do concerto visitou os temas conhecidos do primeiro disco, e serviu para a apresentação dos novos temas que integrarão um single a editar em breve, bem como alguns recentíssimos [com uma semana ou duas], em estreia absoluta. Suspeitamos que o concerto serviu, também, para a gravação de trechos do próximo video-clip da banda – vocês não nos enganam !!!
Souberam imprimir bom ritmo e intensidade ao concerto, e conquistar facilmente a adesão de quem estava presente, numa ‘casa cheia’.
Sublinhamos aquilo que nos parece mais interessante na música que fazem: o cruzamento estilístico entre referências distintas [que vão do electro ao rock, passando pela pop e pelo hip-hop] sem pôr em causa uma sonoridade de corpo bem definido assente numa formação próxima da clássica [secção rítmica com sequenciador e bateria, guitarra, teclas, vozes e outras ‘avarias’]. Esta identidade musical tem como marca distintiva o fundo electrónico mas é, no entanto, suficientemente elástica para permitir incursões em várias ‘atmosferas’ ou estilos, e alcançar uma variedade estimulante entre as diversas músicas sem perder a tal coerência identitária [não conseguimos esquecer a monotonia da actuação dos Bloc Party em Paredes de Coura 2006].
M.A.U. [Man And Unable] é um projecto com origem, quase espontânea, no início de 2004, entre estudantes de uma escola de cinema na Dinamarca, oriundos de diversos países. O primeiro álbum, homónimo, saiu em Maio deste ano e conta, na produção, com Flak e C-Morg, dos Micro Audio Waves.
A actual formação é mais homogénea e de cunho mais orgânico que a inicial [esta, era mais dependente da electrónica] - o que não nos parece propriamente uma vantagem neste quadro multiétnico, dialógico e heterogéneo que acabámos de comentar. Pelo caminho perdeu a voz feminina e a presença de Pia, e incorporou, numa atitude pragmática e plena de sentido prático, um baterista, um teclista e um guitarrista portugueses, viabilizando, deste modo, uma plataforma de actuação com base em Portugal.
Ora, precisamente aqui, joga-se o valor do projecto, reflectido na expressão das músicas do primeiro álbum: a sonoridade electrónica é a marca distintiva, a heterogeneidade é a base identitária, e a elasticidade é uma mais-valia. O que assistimos no concerto, ao vivo, foi uma luta entre a actuação em si e estes valores, que nos deixa em dúvida: o aglomerado do som pop/rock mais homogéneo e massivo sobrepôs-se ao detalhe e à electrónica, o excesso das vozes limitou a desejável variedade e a original frescura experimental e, em termos cénicos ou imagéticos, o deslumbre egocêntrico do baterista [faltou um espelho como adereço] não substitui a cor da primeira formação. [Porque será que nos estamos a lembrar dos You Should Go Ahead???]
Valeu a ida, claro que valeu! Ficámos praticamente convencidos [somos difíceis de convencer a 100%] - são projectos destes que nos deixam esperançados. Mas também ficámos um pouco apreensivos.
Para quem não conhecer, recomendamos uma visita ao sítio dos M.A.U. , onde podem ouvir algumas músicas e ver o vídeo disponível.
À saída da garage-m, na despedida, resta-nos desejar Boa Viagem aos M.A.U. – não se despistem!

